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UMA ABORDAGEM DA EDUCAÇÃO SOB A PERSPECTIVA DO FATO SOCIAL EM EMILE DURKHEIM
ULHÔA, Leonardo Moreira 1
O significado da palavra EDUCAÇÃO tem sido usado demasiadamente em seu amplo sentido, para designar o conjunto de influências que, sobre a nossa inteligência ou sobre a nossa vontade, exercem os outros homens. A própria sociedade, na medida de sua constituição e desenvolvimento, tirou de seu próprio seio essa grande força moral, diante da qual o homem sente a sua debilidade. Entretanto, o FATO SOCIAL dado – Educação – apresenta suas especificidades através da COERÇÃO, GENERALIDADE e EXTERIORIDADE, fazendo com que os homens obedeçam às regras impostas pela sociedade.
Desde o momento em que nasce, o homem é submetido a um processo social definido como Educação, ao qual ninguém se esquiva. Como um processo eminentemente social, a Educação consiste em um esforço contínuo para impor aos homens maneiras de ser, pensar e agir às quais eles não chegariam espontaneamente.
A partir do conceito de DURKHEIM 2, segundo o qual a Educação,
...é a ação exercida, pelas gerações adultas, sobre as gerações que não se encontram ainda preparadas para a vida social; tem por objeto suscitar e desenvolver , na criança, certo número de estados físicos, intelectuais e morais, reclamados pela sociedade política, no seu conjunto, e pelo meio especial a que a criança, particularmente, se destine.
1
Graduando em Geografia pela Universidade Federal de Uberlândia. Auxiliar de Pessoal (RH) do Centro Universitário do Triângulo.
2
Émile Durkheim. Educação e Sociologia, p. 41pode-se investigar o Fato Social dado – Educação – como sendo um processo de coerção, que
obriga os indivíduos a se subjugarem aos preceitos sociais dos grupos e sociedades a que pertencem, independente de suas vontades e discernimentos pessoais. Logo, a força de coerção é aniquiladora porque é anterior à nossa existência individual. No desdobramento deste conceito pode-se caracterizar tanto a exterioridade, porquanto a adesão às regras da Educação não depende da consciência individual, mas da consciência coletiva, quanto a generalidade, pelo fato de se repetir na maioria dos indivíduos.
Com o objetivo de formar o ser social, a Educação constrói, lapida e molda os indivíduos a fim de criar um ideal que atenda às necessidades sociais. Neste sentido, percebe-se que as modificações na organização da sociedade apresentam mudanças de igual importância, que correspondem à idéia que o homem deve fazer de si mesmo. No entanto a Educação prescreve imperiosamente que o homem é aquilo que a sociedade quer que ele seja, e ela o quer conforme ordene sua economia interna e o seu equilíbrio.
A Educação é um Fato Social que tem variado com o tempo e o meio social a que pertence. Os estudos que abordam a maneira pela qual se formaram e se desenvolveram os sistemas de Educação, mostram a influência da religião, da organização política, do desenvolvimento das ciências, etc. Separadas, essas questões tornam-se incompreensíveis. Nas cidades gregas, a Educação impunha aos indivíduos a subordinação à coletividade, em Atenas, procurava formar espíritos delicados e graciosos, na Idade Média, a Educação era voltada para os valores cristãos. Assim, cada sociedade considera em momento determinado de seu desenvolvimento um sistema de Educação que se impõe aos indivíduos de modo geralmente invencível, ordenando idéias intelectuais, morais e físicas.
Na concepção de DURKHEIM, admitido que a Educação seja uma atividade essencialmente social, é outorgado ao Estado a função de organizador desta Educação. Porém, isto não significa que o Estado deve, necessariamente, monopolizar o ensino. Acredita-se que o processo escolar ocorrerá com maior possibilidade de êxito se contar com a participação da iniciativa privada. Cabe ao Estado, no entanto, a responsabilidade de definir os conteúdos. No Brasil, é o MEC ( Ministério da Educação e Cultura ) que determina as disciplinas a serem estudadas
Não obstante, somos levados a acreditar que não há períodos na vida social ou momentos do dia em que não estamos recebendo as influências impostas pelo processo educativo. A pressão que, a todos os instantes, o indivíduo sofre, resulta da própria imposição social, tendendo a moldá-lo. Tanto os pais como os mestres não são, senão, seus representantes e intermediários. Por conseguinte, é ilusório presumir que a Educação é transmitida da forma que cada um aprecia e avalia. O sistema educativo é constituído por um sistema organizado de normas, que, se desrespeitado, entrará em confronto com os ideais exigidos pela sociedade.
Referência Bibliográfica
DURKHEIM, Émile. Educação e sociologia. Tradução por Lourenço Filho. 12.ed., São Paulo: Melhoramentos, 1978. 91p.